Morre Francisco Lopes, ex-presidente do BC responsável pela criação do Copom

O ex-presidente interino do Banco Central Francisco Lafaiete de Pádua Lopes morreu na quinta-feira (7) aos 78 anos. O economista estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

A família de Francisco Lopes divulgou comunicado oficial na sexta-feira (8) confirmando o falecimento. Conhecido no meio econômico como Chico Lopes, o economista deixa legado institucional importante para o país.

Trajetória acadêmica e profissional consolidada

Francisco Lopes nasceu em 1945 e construiu sólida formação acadêmica. Graduou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez mestrado na Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado em Harvard.

O economista exerceu atividade docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e na Universidade de Brasília (UnB). Também fundou a consultoria econômica Macrométrica, ampliando sua atuação no mercado.

Gestão no BC durante turbulência cambial

Francisco Lopes assumiu a presidência interina do Banco Central em janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso. O período de dois meses coincidiu com grave crise que forçou a mudança do regime cambial brasileiro.

A gestão enfrentou a transição do câmbio fixo para o flutuante. O momento foi marcado por forte instabilidade nos mercados financeiros e pressão especulativa sobre o real.

Sua passagem pelo BC também foi marcada pela polêmica operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam. O episódio posteriormente foi investigado pela CPI do Sistema Financeiro no Congresso Nacional.

Copom representa principal contribuição institucional

A criação do Comitê de Política Monetária (Copom) representa o principal legado de Francisco Lopes. O órgão permanece até hoje como responsável pela definição da taxa Selic no país.

"Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real", declarou Francisco Lopes em depoimento de 2019. "Eu dizia que era preciso ter um ritual e que a reunião para definir a taxa de juros deveria ser gravada".

O Banco Central destacou que o Copom conduz a política monetária com "previsibilidade, transparência e rigor técnico". A institucionalização do comitê trouxe maior credibilidade ao processo decisório da autoridade monetária.

Participação nos debates sobre estabilização monetária

Francisco Lopes participou das discussões técnicas dos planos Cruzado e Bresser nas décadas de 1980 e 1990. Sua atuação contribuiu para os esforços de consolidação da moeda brasileira.

O economista dedicou décadas ao "enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica", segundo nota oficial do Banco Central. A instituição lamentou a perda e ressaltou sua importância histórica.

"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Chico Lopes, economista de trajetória marcante", declarou a família. O comunicado destacou sua "atuação relevante na construção e no debate da política econômica nacional".

Despedida e reconhecimento institucional

O velório de Francisco Lopes será realizado neste sábado (9) no Cemitério do Caju. A cerimônia está marcada para às 13h, com cremação prevista para às 16h.

Francisco Lopes deixa a esposa Ciça Pugliese, com quem manteve casamento de mais de 40 anos. Também deixa três filhos e sete netos como família enlutada.

Qual será o impacto da perda desta figura central na construção da estabilidade monetária? A trajetória de Francisco Lopes demonstra como reformas institucionais sólidas, exemplificadas pelo Copom, conseguem transcender gestões específicas e estabelecer práticas duradouras que fortalecem a credibilidade das políticas públicas brasileiras no longo prazo.