O projeto de ampliação da Linha 1 do Metrô-DF em Samambaia atingiu 23% de execução no primeiro semestre de 2026. A expansão movimenta R$ 319 milhões e contempla a construção de duas novas estações ao longo de 3,6 quilômetros. Dados da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal apontam que aproximadamente 760 trabalhadores operam nas diferentes frentes de serviço. A Estação 35, localizada próxima à UPA de Samambaia, apresenta estruturas de fundação, pilares e vigas já finalizadas. Na Estação 36, futura estação terminal, as equipes concentram esforços na conclusão das fundações. ## Projeção de demanda para o modal metroviário As estimativas da companhia indicam capacidade para absorver entre 12 mil e 15 mil novos usuários diários no segmento ampliado do metrô. O empreendimento contempla três viadutos equipados com passagens para pedestres, quatro passarelas elevadas e três subestações retificadoras de energia. Durante vistoria realizada na semana anterior, o diretor-presidente do Metrô-DF destacou que o investimento em mobilidade urbana representa transformação estrutural para a região. ## Panorama da mobilidade no Distrito Federal O sistema metroviário da capital atende cerca de 150 mil passageiros diariamente em dias úteis, conforme registros de 2025. O modal corresponde a apenas 8% do transporte público no DF. Este percentual fica abaixo de capitais como São Paulo (45%) e Rio de Janeiro (22%), segundo levantamento da Associação Nacional de Transportes Públicos. Maria Helena Santos, urbanista da Universidade de Brasília, considera a expansão do metrô em Samambaia necessária, porém insuficiente para solucionar os gargalos de transporte regionais. "A demanda reprimida em Samambaia supera muito os 15 mil usuários. Tratamos de uma população superior a 250 mil habitantes", pontua a especialista em mobilidade. ## Pressões no cronograma e questões orçamentárias O empreendimento enfrenta ajustes no cronograma devido às chuvas intensas do início do ano. As atividades de terraplenagem foram suspensas por 15 dias em janeiro, conforme relatório técnico da empresa executora. A futura expansão para Ceilândia, programada para 2027, permanece aguardando definição orçamentária na Câmara Legislativa. O valor estimado de R$ 480 milhões para duas estações extras depende de aprovação na Lei Orçamentária Anual de 2027. Os recursos destinados ao metrô em Samambaia originam-se de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, com contrapartida de 30% do Governo do Distrito Federal. A liberação das parcelas segue condicionada ao cumprimento de metas físicas trimestrais. ## Planejamento futuro da malha metroviária O GDF projeta a Linha 2, que interligaria regiões como Gama e Santa Maria à Rodoviária do Plano Piloto. O traçado de aproximadamente 50 quilômetros encontra-se em estudos de viabilidade técnica e ambiental. Para sustentar a ampliação da rede metroviária, estão programados R$ 900 milhões na compra de 15 novos trens. Adicional de R$ 800 milhões será direcionado à modernização dos sistemas de sinalização e controle da malha existente. Qual seria o impacto efetivo dessa expansão no cotidiano dos habitantes de Samambaia? Os dados oficiais demonstram redução de até 40 minutos no tempo de deslocamento entre Samambaia e o Plano Piloto, comparativamente ao transporte rodoviário. ## Aspectos ambientais do sistema O inventário de emissões de 2024 revela que o metrô produz seis vezes menos gases poluentes que ônibus a diesel. O modal também apresenta 50 vezes menos emissões que veículos particulares, segundo estudo da Secretaria de Meio Ambiente do DF. A modernização tecnológica planejada inclui sistemas de frenagem regenerativa e painéis solares nas estações. As iniciativas devem diminuir em 15% o consumo energético da rede metroviária, segundo projeções da Companhia Energética de Brasília. Roberto Silva, consultor em mobilidade urbana, ressalta que o êxito da expansão do metrô depende da articulação com outros modais de transporte. "Sem uma rede de alimentação eficiente por ônibus, o metrô não consegue absorver toda a demanda potencial", esclarece. A eficácia do investimento em Samambaia será avaliada nos próximos dois anos, período em que os indicadores de ridership possibilitarão verificar se as projeções de demanda se materializaram. O modelo implementado no DF poderá servir de benchmark para discussões sobre expansão do transporte de massa em outras regiões metropolitanas do país.