O Executivo distrital cancelou a transferência da Serrinha do Paranoá para o Banco de Brasília. A área de 716 hectares foi removida do plano de capitalização da instituição financeira e será destinada à criação de um parque de preservação ambiental. A vice-governadora Celina Leão anunciou a decisão durante evento oficial realizado nesta quarta-feira no Recanto das Emas. A Serrinha do Paranoá concentra mais de 100 nascentes que alimentam o Lago Paranoá. Dados da pasta ambiental indicam que a região fornece cerca de 15% do volume hídrico do principal reservatório da capital. ## Capitalização do BRB em questão O plano original destinava o terreno como patrimônio para fortalecer o balanço do banco público. O BRB necessitava de aporte de R$ 500 milhões para atender exigências regulatórias do Banco Central relacionadas aos índices de Basileia. A medida enfrentou contestação de órgãos fiscalizadores desde dezembro do ano passado. O Tribunal de Contas do DF questionou os métodos de avaliação dos bens públicos selecionados para a operação. O Ministério Público distrital também expressou ressalvas quanto aos possíveis danos ambientais. "A preservação da Serrinha do Paranoá é fundamental para garantir a segurança hídrica do DF. Decidimos pela criação do parque para proteger esse patrimônio natural", afirmou Celina Leão durante a solenidade. ## Importância hídrica reconhecida Especialistas em recursos hídricos avaliam a mudança como tecnicamente adequada. Roberto Santos, hidrólogo da Universidade de Brasília, destaca o papel regulador da área. "A Serrinha do Paranoá funciona como uma esponja natural que regula o fluxo hídrico do Paranoá. Sua preservação é estratégica para a sustentabilidade hídrica de Brasília". Entidades ambientalistas manifestaram satisfação com o recuo governamental. O Observatório DF, que monitora políticas públicas locais, acompanhou as discussões desde o início do processo. A organização considera que a mobilização social demonstrou capacidade de influenciar decisões quando articulada de forma qualificada. ## Busca por alternativas patrimoniais Sem a Serrinha do Paranoá, o governo precisará identificar outros imóveis para completar a capitalização do BRB. A lista atual contempla terrenos com menor sensibilidade ambiental, incluindo áreas no Setor de Indústria e Abastecimento e proximidades da Estrutural. Paulo Henrique Costa, presidente do banco público, confirmou que a instituição buscará opções alternativas sem prejudicar o cronograma de recuperação financeira. As novas áreas que poderão substituir a Serrinha do Paranoá devem ser apresentadas nas próximas semanas ao TCDF. A conversão em parque ainda requer aprovação na Câmara Legislativa e elaboração de estudos técnicos específicos. Especialistas projetam que a criação da unidade de conservação demandará entre 8 e 12 meses, considerando tramitação legal e análises ambientais obrigatórias. A eficácia da preservação da Serrinha do Paranoá será mensurada pelos indicadores trimestrais de qualidade hídrica do Lago Paranoá, monitorados pela Caesb, que permitirão avaliar se a medida produz os resultados ambientais esperados.