O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta sexta-feira o levantamento sobre rendimentos que indica expansão da disparidade salarial brasileira. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios revelam que os 10% mais ricos ganharam R$ 9.117 mensais em 2025, valor 13,8 vezes superior aos R$ 663 recebidos pelos 40% mais pobres. O indicador registra alta comparado a 2024, quando a relação entre as faixas de renda ficou em 13,2 vezes. A Pnad considera salários, aposentadorias, benefícios sociais e aplicações financeiras para calcular a disparidade salarial nacional. ## Trajetória histórica mostra redução desde período pandêmico A disparidade salarial de 2025 representa o segundo menor registro da série histórica iniciada em 2012. O pico ocorreu em 2021, com diferença de 17 vezes entre as classes econômicas extremas. Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, atribui a melhora dos últimos anos ao mercado de trabalho e políticas sociais. As classes de menor renda se beneficiaram do reajuste do salário mínimo e da expansão de programas governamentais, segundo o especialista. ## Evolução dos rendimentos favorece camadas populares A análise temporal expõe dinâmica contrastante na evolução da renda por classe social. Entre 2024 e 2025, os 10% mais ricos registraram aumento de 8,7% acima da inflação. Os 40% mais pobres tiveram alta de 4,7% no mesmo período. O cenário se inverte na comparação com 2019, ano pré-pandemia. Desde então, os 40% mais pobres acumularam crescimento de 37,6% nos rendimentos. O topo da pirâmide social teve expansão de apenas 11,9%. ## Programas sociais alcançam quase um quarto das famílias O levantamento identificou 18 milhões de domicílios brasileiros recebendo benefícios governamentais em 2025, equivalente a 22,7% das famílias. A partir de 2020, o governo federal ampliou alcance e valores do principal programa assistencial do país. Como as mudanças nas políticas sociais influenciariam essa configuração da disparidade salarial? O IBGE compilou dados de benefícios federais, estaduais e municipais para traçar o panorama nacional. ## Diferenças regionais intensificam desigualdades A pesquisa revela dupla camada de desigualdade no território nacional. A média dos 40% mais pobres no Sul atinge R$ 978, superando os R$ 663 da média nacional. Centro-Oeste (R$ 846) e Sudeste (R$ 842) também ficam acima. Nordeste (R$ 449) e Norte (R$ 490) registram valores inferiores à média. O Distrito Federal lidera a disparidade salarial entre unidades federativas, com diferença de 19,7 vezes. Rio de Janeiro (16,4) e Rio Grande do Norte (16,3) ocupam as posições seguintes. São Paulo apresenta relação de 11,9 vezes, na 12ª colocação. Mato Grosso (9,1) e Santa Catarina (8,4) têm as menores diferenças. ## Índice de Gini mantém patamar próximo ao mínimo histórico O Índice de Gini brasileiro alcançou 0,511 em 2025, numa escala de zero a um para medir desigualdade. O resultado supera ligeiramente 2024 (0,504), mas permanece como segundo menor da série histórica. Fontes considera que a variação não indica tendência de alta. O analista avalia que houve melhoria em 2024, seguida de leve oscilação em 2025, mantendo-se abaixo dos anos anteriores e próximo da estabilidade. ## Perspectiva analítica indica manutenção de trajetória Os dados do IBGE sugerem que, apesar do aumento pontual da disparidade salarial em 2025, o Brasil mantém a trajetória de redução das desigualdades iniciada após o período crítico da pandemia. A consolidação dessa tendência dependerá dos próximos indicadores e da continuidade das políticas que beneficiaram as faixas de menor renda nos últimos anos, segundo especialistas consultados pelo instituto.