Pesquisa do IBGE mostra que 18 milhões de famílias receberam benefícios sociais em 2025

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta sexta-feira (8) revelam que 18 milhões de famílias brasileiras foram contempladas com benefícios sociais em 2025. O contingente representa 22,7% dos mais de 79 milhões de domicílios do país, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

O percentual marca retração de 0,9 ponto percentual frente a 2024, quando 23,6% das famílias acessavam programas governamentais. Entretanto, em comparação com 2019, ano anterior à pandemia, observa-se crescimento expressivo: somente 17,9% dos lares recebiam auxílios naquele período.

Fortalecimento do emprego reduz demanda por programas

Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, relaciona a diminuição percentual de beneficiários ao vigor do mercado de trabalho. O especialista destaca que o crescimento da renda proveniente de atividades laborais pode diminuir a necessidade de auxílios para garantir renda mínima familiar.

O desemprego em 2025 alcançou o menor índice desde 2012, quando iniciou-se a série histórica do instituto. Esse panorama positivo permitiu que menos famílias necessitassem de transferências governamentais para compor a renda domiciliar.

Programa Bolsa Família concentra maior alcance

O Bolsa Família mantém a liderança entre os benefícios sociais federais. Aproximadamente 17,2% dos domicílios brasileiros - cerca de 13,6 milhões de residências - possuem acesso ao programa. A elegibilidade exige renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa.

O Benefício de Prestação Continuada ocupa a segunda colocação, beneficiando 5,3% das famílias. Demais programas sociais, incluindo iniciativas de âmbito estadual e municipal, alcançaram 2,4% dos domicílios em 2025.

A média de valores dos benefícios sociais totalizou R$ 870 no ano passado, cifra ligeiramente menor que os R$ 875 de 2024. Confrontado com 2019, quando a média era R$ 508, o aumento real atingiu 71,3%, já considerada a correção inflacionária.

Concentração regional espelha desigualdades nacionais

A distribuição territorial dos programas sociais evidencia as disparidades de renda entre regiões. No Nordeste, 39,8% das famílias foram beneficiadas - quatro em cada dez domicílios. A região Norte apresentou proporção semelhante, com 38,8% dos lares contemplados.

Em contraposição, a região Sul exibiu o menor percentual: apenas 10,8% das famílias tiveram acesso a programas governamentais. O Sudeste registrou 14,8% e o Centro-Oeste contabilizou 17% dos domicílios beneficiados.

Como essa concentração regional afeta o desenvolvimento equilibrado do país? Os números demonstram que estados das regiões Norte e Nordeste preservam dependência estrutural mais acentuada dos benefícios sociais federais.

Diferença salarial expõe desigualdade social

O levantamento expõe a distância entre beneficiários e não beneficiários dos programas sociais. Famílias contempladas com auxílios governamentais apresentam renda média mensal de R$ 886 por pessoa. Nos domicílios sem benefícios sociais, esse valor alcança R$ 2.787 - mais que o triplo.

Segundo análise técnica do IBGE, os programas demonstram efetividade na focalização, atingindo efetivamente as famílias de menor poder aquisitivo. Contudo, os desafios estruturais de desigualdade de renda persistem no país.

A evolução dos beneficiários desde 2019 indica expansão durante a pandemia, quando 31,4% dos domicílios receberam auxílios em 2020. Nos anos seguintes, verificou-se retração gradativa, mantendo-se, porém, em patamares superiores ao período pré-Covid.

A sustentabilidade dos programas sociais como instrumento de combate à pobreza será avaliada nos próximos anos. O crescimento econômico determinará se a atual redução de beneficiários representa melhoria estrutural ou apenas conjuntura econômica favorável temporária.