Pesquisa do IBGE confirma crescimento da renda familiar brasileira

A renda familiar per capita no Brasil atingiu R$ 2.264 em 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) registrou expansão real de 6,9% comparado ao período anterior, já considerada a correção inflacionária.

O indicador marca o quarto ano seguido de alta no rendimento domiciliar brasileiro. A série histórica da Pnad, iniciada em 2012, nunca havia documentado patamar superior. Entre 2019 e 2021, o país enfrentou quedas consecutivas nesse parâmetro.

Gustavo Geaquinto Fontes, analista responsável pela pesquisa, atribui o resultado ao desempenho do mercado de trabalho. O especialista ressalta que o país experimentou taxas mínimas de desocupação durante 2025, combinadas com aumentos periódicos do piso salarial nacional.

Composição da renda familiar per capita inclui múltiplas fontes

O IBGE calcula a renda familiar per capita somando todos os rendimentos dos moradores e dividindo pelo número de pessoas por domicílio. A metodologia abrange salários, gratificações, aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios governamentais, auxílios educacionais, seguro-desemprego, receitas de locação e investimentos.

Do total da renda familiar per capita mensal, 75,1% originam-se de atividades laborais. Os 24,9% restantes provêm de outras origens. Aposentadorias e pensões correspondem a 16,4% do montante total.

Programas de transferência de renda representam 3,5% da composição. Receitas de aluguéis somam 2,1%, outros tipos atingem 2%, enquanto pensões alimentícias alcançam 0,9% do conjunto.

Distrito Federal lidera ranking de renda familiar per capita

O DF ocupa a primeira posição nacional com renda familiar per capita de R$ 4.401. São Paulo aparece em segundo lugar (R$ 2.862), seguido pelo Rio Grande do Sul (R$ 2.772), Santa Catarina (R$ 2.752) e Rio de Janeiro (R$ 2.732).

Maranhão registra a menor renda familiar per capita do país (R$ 1.231). Acre (R$ 1.372) e Ceará (R$ 1.379) completam as três últimas colocações. Por região, o Sul apresenta o maior valor médio (R$ 2.734), contrastando com o Nordeste (R$ 1.470).

No Nordeste, apenas 67,4% da renda familiar per capita deriva de trabalho, proporção abaixo da média brasileira. A região demonstra maior dependência de outras fontes (32,6%), principalmente aposentadorias e pensões (20,4%) e programas sociais (8,8%).

Desigualdade persiste apesar do crescimento geral

Os dados revelam que os 10% mais ricos da população detêm rendimento 13,8 vezes maior que os 40% mais pobres. Essa proporção evidencia a permanência da concentração de renda como problema estrutural brasileiro, mesmo diante da melhoria dos indicadores gerais.

Cerca de 18 milhões de domicílios brasileiros (22,7% das famílias) receberam algum benefício social em 2025. O percentual de brasileiros contemplados por programas como Bolsa Família chegou a 9,1%. O índice representa leve recuo ante os 9,2% de 2024, mas supera os 6,3% de 2019.

Mercado de trabalho sustenta trajetória de crescimento

O país contabilizava 143 milhões de pessoas com algum tipo de rendimento em 2025, equivalente a 67,2% dos 212,7 milhões de habitantes. O patamar constitui recorde histórico da série, superando a marca anterior estabelecida em 2024.

O rendimento médio individual do trabalho alcançou R$ 3.560, avanço real de 5,7%. Considerando todas as fontes, a média mensal chegou a R$ 3.367, crescimento de 5,4% acima da inflação. A continuidade dessa trajetória da renda familiar per capita dependerá da manutenção dos baixos índices de desemprego e da preservação das políticas de valorização salarial. Os próximos trimestres indicarão se o Brasil conseguirá sustentar esse momentum positivo no médio prazo.