Governo federal e estados criam subsídio de R$ 1,20 para diesel importado

O Ministério da Fazenda anunciou nesta segunda-feira acordo com 21 estados para subsidiar diesel importado em R$ 1,20 por litro. A decisão ocorre após reunião com secretários estaduais diante da pressão sobre os preços do combustível no mercado interno.

Tensões no Oriente Médio provocaram alta de 15% no petróleo nas últimas três semanas. O Brasil depende de importações para 30% do diesel consumido, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O cenário externo elevou custos e pressionou o abastecimento doméstico.

Repartição equilibrada entre União e governos locais

A contribuição será dividida igualmente: R$ 0,60 da União e R$ 0,60 dos estados. Os recursos estaduais serão descontados do Fundo de Participação dos Estados (FPE), mecanismo que distribui verbas federais mensalmente.

O apoio se soma ao subsídio anterior de R$ 0,32 por litro já concedido pelo governo federal. O total do benefício para diesel importado alcança R$ 1,52 por litro, segundo o ministério.

"A iniciativa busca garantir segurança no abastecimento e reduzir o impacto da volatilidade externa sobre os preços domésticos", afirmou o secretário-executivo da Fazenda em coletiva.

Participação voluntária com forte adesão

Embora opcional, 21 das 27 unidades federativas aderiram ao programa. Estados não participantes não terão suas cotas redistribuídas entre os demais membros.

A divisão seguirá proporção do consumo regional de diesel. São Paulo, responsável por 25% do volume nacional, assumirá a maior parcela da contrapartida estadual no subsídio.

Para o Observatório DF, que acompanha políticas públicas no Distrito Federal, a medida constitui "resposta coordenada necessária diante da conjuntura internacional adversa, embora seja importante acompanhar os impactos fiscais de médio prazo".

Combustível pressiona inflação nacional

O diesel corresponde a cerca de 15% da matriz energética brasileira. Sua alta impacta diretamente custos de transporte e encarece produtos básicos através dos fretes.

Segundo o IPCA, combustíveis acumulam elevação de 8,2% no ano, superando a inflação geral de 4,1%. Especificamente o diesel subiu 12% desde agosto, conforme levantamento da ANP.

Mas qual seria o impacto real desta medida sobre a economia? Especialistas em política energética alertam para possíveis distorções estruturais. "Embora necessária no curto prazo, a subvenção não resolve a questão estrutural da dependência de importações", analisa Roberto Silva, pesquisador do Instituto de Economia da UFRJ.

Estratégia substitui redução tributária

O subsídio emergiu após resistência dos governadores à proposta inicial de zerar ICMS sobre importação de diesel. Estados argumentaram ainda se recuperarem de perdas tributárias anteriores e que nova renúncia comprometeria serviços públicos.

A alternativa via FPE evita questões políticas ao utilizar recursos já destinados aos estados. Dispensa aprovação nas assembleias legislativas locais.

Monitoramento quinzenal dos resultados

A efetividade será avaliada a cada duas semanas, com possibilidade de ajustes no valor conforme evolução dos preços internacionais do petróleo. O governo não descarta prorrogação caso a volatilidade externa persista além do prazo inicial de dois meses.

A medida representa resposta imediata à crise, mas expõe a vulnerabilidade brasileira às oscilações do mercado global de combustíveis. A dependência de diesel importado mantém o país sujeito a choques externos, exigindo soluções estruturais de longo prazo para reduzir essa exposição.