mobilidade02 de abril de 2026 · 03:50
Transporte público do DF volta ao patamar pré-pandemia com 800 mil usuários diários
✦
Mobilidade urbana do Distrito Federal volta ao patamar pré-pandemia com 800 mil passageiros diários, destacando-se entre capitais brasileiras.
Redação02 de abril de 2026 · 03:50
A mobilidade urbana do Distrito Federal alcançou nível de passageiros equivalente ao período anterior à pandemia de covid-19. Dados da Secretaria de Transporte e Mobilidade confirmam o retorno aos 800 mil usuários diários registrados em fevereiro de 2020.
O resultado posiciona a capital federal entre as raras regiões do país a superar completamente os impactos da crise sanitária no transporte público. Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos indica que a maioria das capitais brasileiras ainda opera com redução de 15% a 30% na demanda diária.
Desde julho de 2024, o pagamento digital foi universalizado em todo o sistema. As 1.247 linhas de ônibus e as duas linhas do metrô funcionam exclusivamente com cartão Mobilidade, vale-transporte eletrônico ou cartões bancários por aproximação, eliminando o uso de dinheiro físico.
## Frota mantida durante crise garantiu confiança
A continuidade da oferta durante os períodos mais críticos da pandemia preservou a credibilidade do sistema junto aos usuários. A Secretaria de Transporte e Mobilidade manteve os 2.100 ônibus em operação mesmo nos momentos de maior restrição sanitária.
"A manutenção da oferta durante a pandemia foi fundamental para preservarmos a confiança do usuário", declarou o secretário Zeno Gonçalves. A estratégia contrariou a tendência nacional de redução drástica da frota durante 2020 e 2021.
O Plano Diretor de Transporte Urbano está sendo reformulado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. A nova versão, esperada para meados de 2025, deve refletir as transformações demográficas da última década.
## Crescimento populacional exige adaptações
A população do DF expandiu 18% desde 2010, alcançando 3,1 milhões de habitantes espalhados por 35 regiões administrativas. O crescimento acelerado gerou novos desafios para a cobertura do transporte público.
Investimentos de R$ 2,8 bilhões foram aplicados na infraestrutura viária nos últimos quatro anos, combinando recursos federais e distritais. As intervenções incluíram a duplicação da BR-080/DF e aprimoramentos em 15 vias estruturais da capital.
Regiões periféricas como Sol Nascente, Arniqueira e Vicente Pires concentram 400 mil moradores, mas enfrentam dificuldades de integração com o transporte público. O acesso ao Plano Piloto ainda requer conexões complexas para esses usuários.
## Especialistas apontam defasagem na expansão
Por que a cobertura permanece irregular nas áreas de crescimento recente? O urbanista Carlos Brasília, da Universidade de Brasília, identifica descompasso entre expansão urbana e ampliação do sistema.
"O DF precisa priorizar corredores exclusivos e sistemas de média capacidade para conectar as extremidades", avalia o especialista. A observação reflete os gargalos enfrentados por moradores das regiões mais distantes.
A Companhia do Metropolitano planeja construir um sistema BRT conectando Samambaia ao centro até 2027. O projeto de R$ 800 milhões deve atender 180 mil passageiros diários das regiões Sul e Sudoeste.
## Tempo de deslocamento supera média nacional
O tempo médio de trajeto casa-trabalho permanece em 52 minutos, conforme pesquisa origem-destino da Companhia de Planejamento. O índice ultrapassa a média brasileira de 43 minutos, evidenciando limitações estruturais da mobilidade urbana.
Nos horários de pico, o Eixão Sul registra velocidade de apenas 18 km/h entre 7h e 9h. A Estrada Parque Núcleo Bandeirante opera com 15 km/h no mesmo período, demonstrando os congestionamentos persistentes.
As faixas exclusivas para ônibus cobrem somente 12% da malha viária prioritária. A limitação compromete a eficiência do transporte público em competir com o transporte individual.
## Recursos garantidos por lei asseguram continuidade
O Fundo Distrital de Transporte Público e Mobilidade Urbana, estabelecido em 2023, destina R$ 150 milhões anuais para custeio e expansão. A legislação fixa percentual do orçamento distrital ao setor, blindando-o de oscilações políticas.
A gratuidade implementada aos domingos e feriados em 2023 elevou a demanda em 35% nos fins de semana. O governo analisa estender a medida para sábados e horários de menor movimento durante a semana.
Cinco estações multimodais estão previstas até 2026 para ampliar a integração entre ônibus e metrô. O projeto visa conectar as principais regiões administrativas ao sistema de alta capacidade através de terminais de integração.
A sustentabilidade das políticas de mobilidade urbana adotadas pelo DF enfrentará teste definitivo nos próximos anos. O crescimento populacional projetado de 8% demandará nova ampliação da capacidade, enquanto o desafio central de universalizar o acesso eficiente permanece concentrado nas regiões periféricas mais afastadas do centro administrativo.
R
Redação
Equipe Editorial
Equipe de jornalismo.
Leia Também

Embraer registra receita de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre, mas reduz lucro líquido
Embraer registra faturamento recorde de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2026, mas lucro líquido cai 45% comparado a 2025.

Morre Francisco Lopes, ex-presidente do BC responsável pela criação do Copom
Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central e criador do Copom, morreu aos 78 anos no Rio. Economista deixa legado na política monetária.
Tribunal de Contas autoriza retomada parcial de empréstimos consignados do INSS
Tribunal de Contas autoriza retomada de empréstimos consignados tradicionais do INSS após recurso da AGU. Cartões seguem suspensos.
